quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

De saudade.

Depois daquele dia em que te levei ao aeroporto, apesar da quantidade de malas e roupas e sapatos e bagulhos que você levou consigo, comecei a me sentir mais pesada, sabe? Assim que me despedi e acidentalmente deixei rolar algumas lágrimas no seu ombro, senti que dali em diante, eu carregava o peso de ser um tanto mais sozinha, nesse cubículo que chamamos de cidade. No mesmo dia pensei em ligar e dizer que a sinuca não havia sido a mesma. Faltavam seus gritos. Suas brincadeiras. Sua risada nada agradável. Não tanto quanto não tê-la, confesso. Desde então penso sempre em você. Com um carinho e uma saudade tão grande que quase salta peito a fora e te alcança por aí. Penso até mais do que pensava quando você estava aqui, ao alcance de um ônibus qualquer ou de alguns passos ou até mesmo de uma ligação local. E pensei que talvez se eu te ligasse e você ouvisse o quanto minha voz estava rouca, rouca como fica quando choro muito, você talvez reconsiderasse e voltasse. Voltasse pro meu abraço e pro meu beijo na testa que é sempre melhor quando dado assim. Cheio de suor. Cheio de saudade. Sem teclas, nem tela de monitor. Sem avião esperando pra decolar – pressa nenhuma. E pensei que se talvez eu ligasse, você voltasse por amor. Mas voltar por amor, nem sempre é voltar por saudade. Segurei o telefone nessas mãos pequenas que costumavam encontrar a sua. Segurei o coração também – Alô? Se der, volta um dia, amor. Se der volta logo. Mas volta bem. Porque eu espero feliz, por você bem feliz.

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