Quando bati a porta, e você me deixou entrar na sua vida, digamos que a merda já estava toda feita! Lembro exatamente, quando me contou a respeito do amor antigo que havia vivido e das feridas que apesar dos meses, continuava aberta, latente e visível. Não conversávamos muito. Eu havia me encantado pela menina meiga do blog. Havia topado um desabafo. Você perguntou se eu estava bem e eu fui sincera. Falei sobre o drama de querer algo pra si com toda a intensidade de ser sagitariana e você como uma, entendeu perfeitamente. Aproveitou a deixa pra me contar sobre o drama de amar. Só. Amar, que por si só já era uma aventura. Vezes um incidente, um imprevisto. E se amar por si só já representava um risco, amar aquilo que não se podia amar era um péssimo sinal. E é essa a merda qual me referia. Via em você, alguém que se flagelava todos os dias enquanto conversávamos sobre perspectivas, futuro profissional, carro próprio, contas pra pagar, presentes, uma kit net, uma pauta, um estágio, uma notícia. O futuro era então aquilo que podia transformar o passado em piada. Eu pensava assim, confesso. "Um dia vamos rir de tudo isso juntas, menina. Vamos sim..."
Mentira. Não vamos não. Aprendemos nesse meio tempo que existem razões pra tudo: desde necessidades, a traumas. Na verdade, você aprendeu primeiro e me ensinou assim que se sentiu segura daquilo que dizia. De qualquer forma, do outro lado havia um carinha nada convencional. De carne, osso e coração. Cheio de particularidades. Meio mito. Inteligente. Amante de cinema. Escrevia bem. Te fazia bem. Causava arrepios. Tinha transformado a menina dos cabelos vermelhos em alguém que conhecia seus limites, embora tenha sacrificado a ingenuidade para tal. Quem éramos nós duas pra rir de algo? De alguém?
Doeu menina, mas ele não quis acertar você. Estava levando a vida. Os mesmos hábitos. Acontece. Você parou no meio. Imprevisto. Acontece. Você olhou nos olhos dele. O beijou. Não criou expectativas, mas sabemos que afeto é assim mesmo, meio abstinência. Acontece. Aconteceu. Mas ele não mirou em você. Não era pra te acertar. Não era pra machucar. Não era... Não era pra ferir aquela com quem ele divide a casa, a cama, o afeto e o sobrenome. Não era pra ferir o homem da sua vida. Somos todos vítimas de um misto de sentimentos que se confundem sempre. A diferença é que vocês deram a cara à tapa; Se arriscaram ao incômodo de morar dentro de si, em suas casas, nesse bairro, nessa cidade, nesse país. Buscando sempre, numa história composta de urgências e medos aquilo que estava longe do alcance. Um diagnóstico de loucura talvez. Mas esse vazio o trabalho não preenche. Nem o sexo, garoto.
Culpados? Não.
Não sobraram espaços para as figuras fictícias que as demais pessoas insistem em aplicar a realidade! Não que o vilão e o mocinho não briguem. Brigam, claro. Dentro dele, dentro dela. Dentro daquele que está em casa te esperando para o jantar. As pessoas são cheias de vontade. A sua maior vontade era a de acreditar que nunca iria poder compartilhar nada com ele. Eu discordo. Vocês dois compartilharam tudo. Compartilham tudo. Menos os rótulos.
Mentira. Não vamos não. Aprendemos nesse meio tempo que existem razões pra tudo: desde necessidades, a traumas. Na verdade, você aprendeu primeiro e me ensinou assim que se sentiu segura daquilo que dizia. De qualquer forma, do outro lado havia um carinha nada convencional. De carne, osso e coração. Cheio de particularidades. Meio mito. Inteligente. Amante de cinema. Escrevia bem. Te fazia bem. Causava arrepios. Tinha transformado a menina dos cabelos vermelhos em alguém que conhecia seus limites, embora tenha sacrificado a ingenuidade para tal. Quem éramos nós duas pra rir de algo? De alguém?
Doeu menina, mas ele não quis acertar você. Estava levando a vida. Os mesmos hábitos. Acontece. Você parou no meio. Imprevisto. Acontece. Você olhou nos olhos dele. O beijou. Não criou expectativas, mas sabemos que afeto é assim mesmo, meio abstinência. Acontece. Aconteceu. Mas ele não mirou em você. Não era pra te acertar. Não era pra machucar. Não era... Não era pra ferir aquela com quem ele divide a casa, a cama, o afeto e o sobrenome. Não era pra ferir o homem da sua vida. Somos todos vítimas de um misto de sentimentos que se confundem sempre. A diferença é que vocês deram a cara à tapa; Se arriscaram ao incômodo de morar dentro de si, em suas casas, nesse bairro, nessa cidade, nesse país. Buscando sempre, numa história composta de urgências e medos aquilo que estava longe do alcance. Um diagnóstico de loucura talvez. Mas esse vazio o trabalho não preenche. Nem o sexo, garoto.
Culpados? Não.
Não sobraram espaços para as figuras fictícias que as demais pessoas insistem em aplicar a realidade! Não que o vilão e o mocinho não briguem. Brigam, claro. Dentro dele, dentro dela. Dentro daquele que está em casa te esperando para o jantar. As pessoas são cheias de vontade. A sua maior vontade era a de acreditar que nunca iria poder compartilhar nada com ele. Eu discordo. Vocês dois compartilharam tudo. Compartilham tudo. Menos os rótulos.
Ainda bem!
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Ps: Quase um conto do Caio. A história é diferente, mas pensei enquanto escrevia em "aqueles dois". Ok, preciso estudar muito ainda pra escrever um quase-conto-caio. É um texto para uma grande amiga. Um texto para poucos, mas se você conseguiu enxergar um retrato seu enquanto percorria cada linha do texto: é meu amigo, você sabe bem o que é loucura; e mais que isso, amor.
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Ps: Quase um conto do Caio. A história é diferente, mas pensei enquanto escrevia em "aqueles dois". Ok, preciso estudar muito ainda pra escrever um quase-conto-caio. É um texto para uma grande amiga. Um texto para poucos, mas se você conseguiu enxergar um retrato seu enquanto percorria cada linha do texto: é meu amigo, você sabe bem o que é loucura; e mais que isso, amor.
4 comentários:
Todo dia dou um cliquezinho ali no seu status do orkut, pra ver se tem um texto novo por aqui. Hoje dei sorte, rs.
Não me canso de dizer que seus textos me encantam :*
Escritora favorita!
:D
Você enxerga longe garota. E mais, enxerga dentro. Dentro do crânio. Dentro do peito. Destrincha a carne e expõe sentimentos. Li, reli, me vi, senti, compreendi. Compreendeste!
ρ
P.s.:posso ser seu amigo também? :)
"...sacrificado a ingenuidade..."
Sacrificamos e deixamos de ser apenas doces meninas.
Experimentamos os vários gostos que a vida possui e proporcinamos muitos sabores também.
=}
Lindo texto amiga.
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